O que o brasileiro pensa?
01 de outubro de 2019, 15h26

“Podem mandar me prender, eu sou amigo de juiz”, disse o agressor do deputado José Guimarães

Juiz citado pelo bolsonarista é professor da UnB e atuou nas investigações da Operação Lava Jato e Operação Zelotes

Foto: Gustavo Bezerra

Hostilizado por um bolsonarista durante voo com destino à Brasília nesta segunda-feira (30), o deputado federal José Guimarães (PT) contou que, ao contrário do que os vídeos curtos que circulam nas redes aparentam, foram 20 minutos de ofensas contra ele e à tripulação do avião. Depois de ser criticado pelos demais passageiros, Gilberto Alves Júnior, responsável pelos insultos, teria dito que não tinha medo de ser preso, pois era amigo de um juiz de Brasília, chamado Vallisney de Oliveira.

Vallisney é juiz federal da 1ª Região e professor da Universidade de Brasília (UnB). Ele atuou no julgamento de processos relacionados à Operação Lava Jato e à Operação Zelotes. No entanto, ainda não há evidências de vínculo entre os dois.

“O avião estava lotado, não pude mudar de lugar. As pessoas se incomodaram e começaram a reagir, mas ele não obedecia. Ele xingou o Lula, o governador do Ceará, ministros do STF, gritou que era bolsonarista e ainda levou vaia”, contou o deputado à Fórum. “Ainda disse ‘podem mandar me prender, sou amigo do juiz Vallisney de Oliveira'”, completou.

Guimarães formalizou a denúncia na Polícia Federal no começo da tarde desta terça (1) e ação deverá ser encaminhada à procuradoria da Câmara dos Deputados. Ao todo, no inquérito criminal, consta três ações por danos morais, injúrias e difamação. “Achei que o caminho seria não revidar, o que foi correto”, disse.

Segundo o inquérito criminal que a Fórum teve acesso, depois de ser levado pela Polícia Federal à delegacia do aeroporto, Gilberto se comprometeu diante da PF que não divulgaria os vídeos. No entanto, depois que todo o processo terminou e o agressor se desculpou com o deputado, o vídeo já havia sido divulgado.

“Essa é uma clara tentativa de impedir as nossas ações, mas não é a agressão de um fascista que vai nos fazer recuar”, protestou o deputado.


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