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09 de setembro de 2019, 06h22

Procuradores da Lava Jato impediram conclusão de investigação sobre grampo na cela de Alberto Youssef

Juiz federal do Paraná, Nivaldo Brunoni, que suspendeu a investigação a mando de procuradores, é o mesmo que no mês passado determinou que CNMP retirasse da pauta julgamento sobre suspeição de Deltan Dallagnol

Procuradores da Lava Jato em Curitiba (Foto: Reprodução/ Twitter/ Jerusa Viecili)

Procuradores da Lava Jato articularam com o juiz federal do Paraná Nivaldo Brunoni para que a investigação sobre a instalação de grampos ilegais na cela do doleiro Alberto Youssef fosse encerrada de forma “abrupta e antecipada”, sem a conclusão do inquérito.

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Brunoni, que chegou a atuar em processos da Lava Jato ao substituir juízes em férias do TRF-4 (Tribunal Regional Federal), é o mesmo que determinou no último mês que o Conselho Nacional do Ministério Público retirasse de pauta julgamento da suspeição de Deltan Dallagnol, o chefe da força-tarefa em Curitiba.

Segundo reportagem de José Marques, na edição desta segunda-feira (9) da Folha de S.Paulo, os procuradores capitaneados por Deltan Dallagnol agiram para barrar a investigação da Polícia Federal que buscava descobrir o que motivou a instalação da escuta e se houve tentativa de abafar internamente o caso.

“Os procuradores atipicamente requerem o arquivamento do inquérito policial, antes mesmo da realização de diligências básicas e da confecção do relatório final”, disse o delegado Márcio Magno Carvalho Xavier, ao manifestar-se à Justiça Federal.

O agente Dalmey Werlang, responsável pela instalação do grampo a mando de superiores da PF no Paraná, é o único que responde a processos disciplinares sobre as escutas clandestinas. Os superiores foram alçados à cúpula da Polícia Federal pelo hoje ministro da Justiça, Sergio Moro.

Perseguição da Lava Jato
Dalmey também é alvo, junto com o delegado Mario Renato Castanheira Fanton e o ex-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Fernando Augusto Vicentine, de um processo sigiloso movido por procuradores da Lava Jato, sob a acusação de que eles violaram sigilo funcional e vazaram informações confidenciais.

Eles se dizem perseguidos pelos procuradores justamente em razão do grampo na cela de Youssef. Na ação, os procuradores acusam os policiais de revelarem dados sigilosos de um inquérito que apurava a conduta de outros agentes federais e de advogados, suspeitos de tentarem produzir um dossiê contra a Lava Jato.

Fanton foi quem descobriu o grampo na cela de Youssef, em 2014. Dalmey confessou que instalou o aparato sob orientação do delegado Igor Romário de Paula, que hoje faz parte da cúpula da PF em Brasília.


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