segunda-feira, 21 set 2020
Publicidade

“Quando o calo apertou, Bolsonaro foi procurar o centrão”, diz Lula na Fórum

Ao comentar sobre a melhora na popularidade de Bolsonaro, ex-presidente diz que o índice ainda é muito menor do que foi registrado na época das eleições. "Tem muita água para passar embaixo da ponte", afirma

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (4), em edição especial do aniversário de 19 anos da Fórum, o ex-presidente Lula comentou sobre as recentes pesquisas de opinião que mostram um crescimento na popularidade do presidente Jair Bolsonaro. O petista também criticou a postura do ex-capitão, que dizia não ser político na época das eleições, mas hoje tem feito acordo com partidos do centrão para aprovar medidas impopulares do seu governo.

“Bolsonaro disse que não queria ser político, mas quando o calo apertou foi procurar o ‘centrão’ para aprovar a política de desmonte. Nós temos que trabalhar. A esquerda tem que trabalhar sem parar, ver quanto tá o preço do feijão, da carne. Agora Bolsonaro está anunciando que vai diminuir o auxílio”, criticou Lula sobre o corte de 50% no auxílio emergencial de R$ 600.

Sobre as pesquisas de opinião que mostram uma melhora na imagem do presidente em agosto – apesar dos mais de 124 mil mortos na pandemia do coronavírus – Lula lembrou que a popularidade de Bolsonaro na época das eleições era superior aos 35% que ele apresenta hoje e que o presidente não conseguiu manter o mesmo índice de avaliação ao longo do governo.

“A pesquisa retrata uma fotografia momentânea. É importante lembrar que no segundo ano do mandato da Dilma, ela tinha 75% de aprovação, não era 35%. Bolsonaro não manteve a aprovação que teve nas eleições”, disse. Para o ex-presidente, o auxílio emergencial de fato ajudou no crescimento da popularidade, mas lembrou que o benefício não foi uma conquista dele.

“O auxílio ajudou a manter as pesquisas sem cair muito. Embora não tenha sido ideia dele, quem conquista a opinião publica é quem está no governo, ele que tem o poder de assinar a lei. Não temos que ter preocupação pensando em 2022, tem muita água para passar embaixo da ponte”, afirmou.

Assista a entrevista completa:

Luisa Fragão
Luisa Fragão
Jornalista.