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28 de novembro de 2019, 17h30

Quando o discurso de quase 3 décadas de ódio chega às ruas

Bolsonaro transborda seu ódio e preconceito mexendo em feridas mal curadas de nossa história. Alimenta a segregação, colocando brasileiros contra brasileiros nas cidades, nos campos e nas famílias. Dá margem para que as pessoas vejam a diferença como ameaça, algo a ser exterminado

Bolsonaro durante palestra na Hebraica, quando disse que negros não servem nem para procriar (Reprodução)

Nesta quarta-feira (27), Gilberto Gil tuitou sobre o dia em que sentiu pela primeira vez o racismo. O ano era 1955 – pouco mais de meio século depois de anunciada o fim da escravidão – e a segregação pela cor da pele se mostrava, então, naquela imagem do menino negro Gil em meio às crianças brancas do colégio Marista. Gil calou-se naquele momento, antes de cantar ao mundo a beleza da diversidade brasileira.

Avançamos outros mais de meio século no tempo. E neste 2019, quando Bolsonaro foi alçado ao poder, parece que regredimos aos tempos dos capitães do mato, muitos deles negros ou mulatos, que caçavam seus pares para satisfazer os desejos de seus “sinhozinhos”.

Bolsonaro parece pinçar nomes que reabrem as escaras sociais de um país que tem tantas marcas em sua História.

A nomeação de Sérgio Nascimento Camargo para a Fundação Palmares, um negro que diz que o racismo não existe, é uma afronta aos milhares de negros escravizados e a todos aqueles que descendem de seu sangue, incluindo seu irmão, o produtor cultural Wadico de Camargo, e seu pai, o escritor e poeta, Oswaldo de Camargo, que faz da escrita sua militância para tirar o negro do ódio e da indiferença.

Bolsonaro transborda seu ódio e preconceito mexendo em feridas mal curadas de nossa história. Alimenta a segregação, colocando brasileiros contra brasileiros nas cidades, nos campos e nas famílias. Dá margem para que as pessoas vejam a diferença como ameaça, algo a ser exterminado.

Autoriza a expressão de uma raiva contida na superficialidade do conhecimento e alimentada em seitas que buscam impor uma pretensa verdade. E faz com que a violência chegue às ruas, como no assassinato do idoso em Santa Catarina. E com requintes de crueldade.

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