Cutista disputa vaga no Conselho da Vale com promessa de abrir mão de jeton de 50 mil

"Nossa candidatura vai na contramão de desejos inconfessáveis. Vamos usar o salário do conselheiro em benefício dos próprios trabalhadores, através de uma comissão formada pelos empregados para ajudar a fiscalizar e gerir os recursos”. Wagner Xavier

No último domingo (31/01) relatamos neste blog as ações dos petroleiros do Sindicato dos Petroleiros Norte Fluminense junto à ALERJ em prol de saídas para a depressão econômica. Explicamos como funcionam os conselhos de administração das empresas na Alemanha, que em empresas com mais de mil funcionários contam com participação paritária dos trabalhadores nas decisões.

A Vale tem um Conselho Administrativo, mas a paridade está longe de ser realidade. Num conselho com 13 membros, apenas um conselheiro/a representa os trabalhadores, os 12 restantes representam os acionistas. O conselheiro representante dos trabalhadores é eleito diretamente pelos trabalhadores da Vale. As eleições acontecerão de 9 a 11 de fevereiro.

O mandato do conselheiro é de dois anos, com direito à reeleição e ter um representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Vale foi uma conquista dos dirigentes sindicais, garantida no edital de privatização da empresa, em 1997.

Embora seja 1 contra 12, os trabalhadores consideram importante a participação neste conselho e a disputa é acirrada. Um dos atrativos é o valor da remuneração pago a cada conselheiro para frequentar 1 reunião mensal: em torno de R$ 50 mil. Nos últimos anos, esse valor tem estimulado que sindicalistas que atuam na empresa entrem em uma luta fratricida na disputa pelo cargo.

Para a eleição da atual vaga disputam a Chapa 3 (Wagner/Sindfer ES/MG e Eduardo Pinto/Stefem MA), a Chapa 8, formada por Lucio/Stefem MA e André Viana/Metabase Itabira (MG) e mais 9 chapas avulsas.

Promessa registrada em cartório

É da Chapa 3- União Movimento da Categoria, formada pelos maquinistas Wagner Xavier, com 18 anos de Vale e 9 de militância no movimento sindical e Eduardo Pinto, trabalhador da Vale desde 1983, o primeiro maquinista da mineradora no Sistema Norte, técnico em eletrotécnica e bacharel em Direito que vem uma promessa inovadora, por meio de uma declaração pública, registrada em cartório, Wagner que atualmente preside o Sindicato dos Empregados da Vale do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer ES/MG, filiado à CUT), promete, caso seja eleito, abrir mão dos rendimentos em favor dos trabalhadores da Vale.

Para ele os recursos pagos aos conselheiros foram conquistas da luta dos trabalhadores, pertencem aos trabalhadores e a eles devem beneficiar.

De acordo com o candidato da Chapa 3, dirigentes sindicais que almejam a vaga no Conselho administrativo para aumentar a renda deveriam lutar por um melhor acordo salarial para si e para os trabalhadores que representa. Wagner critica o aumento de renda e patrimônio dos sindicalistas que ocuparam a vaga de conselheiro e nem sempre foram a voz dos trabalhadores no Conselho. De acordo com o presidente do Sindfer ES/MG: “Nossa candidatura vai na contramão de desejos inconfessáveis. Vamos usar o salário do conselheiro em benefício dos próprios trabalhadores, através de uma comissão formada pelos empregados para ajudar a fiscalizar e gerir os recursos”.

Para Wagner, “Qualquer iniciativa em contrário entra em conflito com o projeto coletivo defendido pela diretoria do Sindfer”, afirma o dirigente.

Pela proposta defendida por Wagner, a remuneração do conselheiro será utilizada em benefício das obras e ações sociais dos empregados que integram o programa Voluntariado Vale e do fortalecimento das lutas dos trabalhadores, sobretudo pelo fortalecimento da Ouvidoria, mais investimentos com geração de empregos, ampliação do teto da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nenhum direito a menos, combate à terceirização e fortalecimento das questões ligadas à saúde e segurança no trabalho.

Campanha

O atual conselheiro dos trabalhadores, Lucio Azevedo (Stefem MA), cumpre seu terceiro mandato. De acordo com a Chapa 3, apesar do sindicato do candidato a suplente ser filiado ao Conlutas, Azevedo e a Chapa 8 são os preferidos pela direção da Vale.

A diretoria do Stefem MA está rachada e seu presidente atual, Lucio Azevedo, aliou-se ao sindicato Metabase de Itabira (MG), filiado ao Conlutas, para encabeçar a chapa 8, com o presidente do sindicato mineiro, André Viana, como suplente.

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