Rita Lee, Bolsonaro e Aristides: postagem antiga da cantora volta a circular; entenda

Publicação feita pela cantora em 2011 voltou a repercutir após vir à tona a suposta história do "sargento Aristides"

Nesta segunda-feira (29), o termo “Rita Lee” foi para a lista de assunto mais comentados do Twitter no Brasil. Outro termo que consta nesta lista é “Aristides”. Qual, afinal, é a relação entre essas postagens?

O termo “Aristides” ganhou repercussão pois a mulher que teria xingado Jair Bolsonaro neste domingo (28), quando o presidente acenava para motoristas na Via Dutra, teria o chamado de “noivinha do Aristides”, segundo informações que passaram a circular nas redes sociais. A mulher chegou a ser detida pelo fato e, após a repercussão, negou que tivesse falado em “Aristides”.

O “sargento” Aristides, por sua vez, teria sido instrutor de judô à época em que Jair Bolsonaro cursou a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), também de acordo com informações que passaram a circular nas redes.

Segundo Toni Bulhões, a revelação teria feita sido por Jarbas Passarinho, que foi ministro durante a Ditadura Militar e, como senador já na República, desprezava Bolsonaro.

“Aristides era o sargento em cuja cama, segundo Jarbas Passarinho, o então tenente ia chorar as mágoas, nas noites quentes de verão dos aquartelados”, diz o tuíte.

Em nota divulgada pelos advogados Marcello Martins dos Santos e Luiz Augusto Guimarães à coluna Painel, da Folha nesta terça-feira (30), a mulher que foi alvo de pedido de detenção por parte do presidente afirma que não usou em nenhum momento a expressão “noivinha do Aristides”.

E qual a relação de Rita Lee com isso?

A partir das insinuações sobre Bolsonaro e “Aristides”, internautas resgataram uma postagem feita pela cantora Rita Lee em 2011 em que dizia, em tom de ironia, que teve um “caso” com o presidente.

“Bolsonaro e eu tivemos um caso. Ele não era muito chegado na coisa, se é que me entendem. Terminamos porque ‘Bolsinho’ tava de olho num colega de classe”, diz a publicação, que já havia voltado a circular durante a campanha nas eleições de 2018.

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A publicação de Rita Lee fazia parte de uma sequência de postagens da cantora debochando de Bolsonaro. As postagens, no entanto, se tratavam de uma brincadeira da artista.

Em 2018, o site Boatos chegou a esclarecer a história. “O primeiro ponto que denuncia a farsa é cronológico. Rita Lee nasceu em 31 de dezembro de 1947 em São Paulo. Até o início dos Mutantes (quando ela tinha 18 anos), ela viveu na capital paulista e estudou no Liceu Pasteur (colégio de gente rica). Quando Rita Lee já estava nos Mutantes, Bolsonaro tinha 11 anos e morava no interior de São Paulo. Aos 18, ele entrou na Escola de Cadetes”, diz um trecho da matéria.

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“A ‘série’ sobre Bolsonaro foi motivada por polêmicas causadas pelo político durante uma entrevista para o programa CQC (extinto em 2015) em 2011. Logo após ele ter dado uma resposta supostamente racista à cantora Preta Gil, Rita Lee fez as publicações. Em 2013, muitas dessas publicações (que incluíam polêmicas com a Globo, Corinthians etc) viraram um livro em parceria com a cartunista Laerte”, prossegue o Boatos, que enfatiza que as postagens de Rita Lee se tratavam de uma fanfic.

Confira abaixo parte da repercussão nas redes

Atualização no dia 30/11

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_