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03 de setembro de 2019, 19h49

“CPI das universidades quer acabar com Ciência e Tecnologia”, critica deputada

A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) condena os rumos da CPI e prega maior mobilização para frear o radicalismo e o ódio que move alguns parlamentares

Foto: Flickr Professora Bebel

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para investigar as universidades paulistas tem como objetivo atacar a atuação de professores sob a questão da “produtividade” e gerar a privatização das instituições, segundo a deputada Maria Izabel (PT-SP), conhecida como Professora Bebel, integrante da comissão.

“A primeira coisa que eu acho que motivo a CPI é uma tendência que quer levar os alunos a pagar mensalidade. O foco da CPI é sempre o professor, quanto ele ganha e a produção acadêmica”, disse à Fórum a deputada, destacando que a CPI não é composta por acadêmicos especializados que possam avaliar as produções e os impactos gerados por elas na sociedade. “Mesmo que fosse, há diferentes áreas, não dá para avaliar pela produtividade”, completou.

Para a deputada, que também é presidenta da Apeoesp, a CPI visa atacar a autonomia universitária. “Mexendo na autonomia universitária, os reitores vão ficar de pires na mão. Não pode! Ciência, Tecnologia e Educação tem que ter autonomia”, declarou, destacando que, apesar da Constituição Federal de 88 garantir esse preceito, a Constituição do estado de São Paulo não o subscreveu. Assim, a autonomia vale apenas como lei, podendo ser modificada com mais facilidade.

“As universidades paulistas estão fazendo muito pelo Brasil”, declarou, citando que os geólogos da Unesp atuaram na descoberta do Pré-Sal. “O que a gente tem visto? Uma tentativa de acabar com Ciência e Tecnologia. Querem instituir vouchers, forçar os alunos a pagaram mensalidades. Eu estou muito preocupada”, sentenciou.

A deputada acredita que a CPI vai caminhar na direção do desmonte da educação pública e acredita que a relatora Valéria Bolsonaro (PSL-SP) fará um voto “cheio de ódio”, mas crê que há como frear as iniciativas mais radicais através de maior mobilização. “A gente tem que ter mais mobilizações na comissão para atenuar, pelo menos”, finalizou.

“Inaceitável é um LGBT morrer a cada 20 horas no Brasil”

A deputada também comentou sobre uma decisão do governador João Doria de recolher material didático do 8º ano que, segundo ele, continha um “erro” em um texto que explicava as diferenças entre “sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual” . Doria, no Twitter, afirmou que não aceitaria “apologia à ideologia de gênero”.

“Inaceitável é um LGBT morrer a cada 20 horas no Brasil. Inaceitável é a desigualdade entre homens e mulheres persistir. Inaceitável é o feminicídio, que no país tem um taxa 74% superior à média mundial. Discutir a diversidade é preparar gerações para um futuro sem ódio. A ideologia de gênero sequer existe. Você e seu ídolo Jair Bolsonaro utilizam essa expressão na tentativa de confundir a população e privá-la do direito ao conhecimento, ao debate e à vida em uma sociedade em que diversos grupos possam se relacionar de maneira respeitosa e na plenitude de seus direitos”, declarou.


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