quinta-feira, 1 out 2020
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Justiça proíbe livro de educadora bolsonarista que defende castigos físicos para ensinar crianças

O juiz Sergio Luiz Ribeiro de Souza, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, proibiu a comercialização do livro “O que toda mãe gostaria de saber sobre disciplina bíblica”, da educadora bolsonarista Simone Gaspar Quaresma, que defende correção física para educar, como o uso de vara. A decisão atende pedido do Ministério Público estadual.

Blog Criar Filhos: Ministro da Educação defende punição física às crianças

A decisão define os materiais como forma de instigar “castigos físicos com tratamentos degradantes, agressivos e humilhantes” e que a educadora “alega que esse tratamento está previsto na Bíblia, usando a religião para persuadir os pais a adotarem seu método de educação”.

Apoiadora de Jair Bolsonaro, Simone Gaspar é casada com o pastor presbiteriano Orebe Quaresma e tem quatro filhos já adultos.

Na tarde desta terça-feira (28), o livro ainda estava disponível para a venda, ao preço de R$ 35 no site da educadora.

“Simone Quaresma aborda a necessidade que os filhos têm da correção com vara. Com farta demonstração de texto bíblicos, ela evidencia como a criação e a correção dos filhos são um reflexo da repreensão de Deus, um Pai amoroso. Neste livro você encontrará conselhos e sugestões de uma mãe de quatro filhos já criados, que experimentou as delícias e agruras de conduzir seus filhos a Deus, enquanto lidava com os pecados deles e com os seus próprios”, diz a sinopse do livro no site.

“A disciplina com vara, quando usada de modo bíblico nos ajuda, não a tornar nossos filhos “impecáveis”, mas penitentes. A disciplina bíblica visa prepará-los para que quando pecarem, sendo confrontados, se dobrem ante a disciplina do Senhor”, diz um outro texto no site.

Ministro da Educação
Ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro compartilha da mesma ideia de Simone Gaspar de que as crianças devem ser castigadas fisicamente no aprendizagem.

Após receber críticas nas redes sociais, o novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, deletou o vídeo em que defende rigor na educação das crianças, para que elas “sintam dor“.

Em vídeo chamado “A Vara da Disciplina”, publicado no canal da Igreja Presbiteriana Jardim da Oração há cerca de quatro anos, ele afirma que é preciso “deixar marcas” nos filhos.

“Não dá para argumentar de igual para igual com criança, senão ela deixa de ser criança. Deve haver rigor, severidade. Vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor”, declara o pastor”, defende.

“A vara da disciplina não pode ser afastada da nossa casa”, diz ainda.

Plinio Teodoro
Plinio Teodoro
Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.