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16 de setembro de 2019, 07h43

Vizinho de Bolsonaro, PM que matou Marielle é chefe da milícia em área onde Queiroz se escondeu

De acordo com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP-RJ, Lessa foi chefe de milícia na comunidade Rio das Pedras, mesmo local onde Queiroz se escondeu antes de vir a São Paulo

Ronnie Lessa (D) e a ação da PM no condomínio Vivendas da Barra para prendê-lo (Reprodução/TV Globo)

O sargento de reserva da Polícia Militar e vizinho de Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, é chefe de milícia na comunidade Rio das Pedras e da Gardênia do Sul, ambas na zona oeste carioca. A favela do Rio das Pedras é o mesmo local que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, se escondeu antes de vir a São Paulo, em dezembro de 2018, para tratar um câncer no Hospital Albert Einstein. As informações são de Flávio Costa e Sérgio Ramalho, no portal Uol, nesta segunda-feira (16).

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Rio das Pedras é a segunda maior favela do Rio de Janeiro e é totalmente dominada pela milícia mais antiga da cidade. Investigações da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP-RJ (Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro) também chegaram à informação de que, além de chefe de milícia, Lessa foi dono de um bingo clandestino na Barra da Tijuca e planejava, antes de ser preso, expandir seu negócio de distribuição de água para áreas dominadas por traficantes de drogas do Rio.

Presos em 12 de março, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ex-PM que também estava envolvido no caso, foram transferidos para uma prisão federal em Porto Velho, Rondônia, no final de junho. Vizinho de Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, o sargento reformado usava o Certificado de Registro (CR), documento concedido pelo Sistema de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC) do Exército, para facilitar a importação de armas.

Investigações interrompidas

Em julho deste ano, o ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, suspendeu a investigação referente ao assassinato da vereadora do Rio, Marielle Franco (PSOL). Decisão de Toffoli atinge temporariamente todos os inquéritos do país que, a seu ver, são embasados em relatórios de inteligência financeira feitos com informações obtidas sem autorização judicial. Ou seja, informações compartilhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e pelo Fisco sem autorização da Justiça.

A decisão de Toffoli de suspender os inquéritos beneficia diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), pois o Coaf, que agora se chama “Unidade de Inteligência Financeira”, havia identificado uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, ex-motorista e ex-assessor do parlamentar quando ele ocupava um cargo na Assembleia Legislativa do Rio.


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