Bolsonaro diz que “investe em 15 vacinas nacionais” após Anvisa suspender Coronavac

Bolsonaro listou diversos "investimentos" do governo contra o coronavírus e destacou a pesquisa com o vermífugo nitazoxanida, que foi classificada como “peça de propaganda populista” pela revista científica Science Magazine

Menos de 24 horas depois da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a interrupção do estudo clínico da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, Jair Bolsonaro foi às redes e listou entre os tratamentos que o governo está buscando para o coronavírus o investimento “em 15 protocolos de vacinas nacionais e uma delas já está em fase de testes clínicos com humanos”, sem detalhar qual seria o medicamento.

Em uma sequência de tuítes, Bolsonaro ainda citou a Nitazoxanida, vermífugo que foi apresentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como “eficaz” para redução da carga viral na fase precoce da Covid-19.

Na apresentação da pesquisa com a Nitazoxanida, classificada como “peça de propaganda populista” pela revista científica Science Magazine, o ministro Marcos Pontes usou um gráfico do banco de imagens Shutterstock para mostrar a evolução do tratamento com a doença.

“Baseado nas diretrizes da Redevirus, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o @mctic: 1. Buscou entre 2000 medicamentos e encontrou a Nitazoxanida como remédio de reposição, cientificamente demonstrado no tratamento precoce da covid que reduz a carga viral”, tuitou Bolsonaro, destacando a pesquisa sobre o vermífugo.

O presidente ainda listou testes com a vacina BCG, usada na prevenção à tuberculose, e com plasma de pacientes entre os “investimentos” do governo contra o coronavírus.

CoronaVac
Sem grande detalhes, a Anvisa anunciou a interrupção dos estudos com a CoronaVac após o registro de “evento adverso grave” em um voluntário. “O evento ocorrido no dia 29/10 foi comunicado à Anvisa, que decidiu interromper o estudo para avaliar os dados observados até o momento e julgar sobre o risco/benefício da continuidade do estudo”, informou a agência, em nota.

O laboratório chinês Sinovac, responsável pela produção de uma das potenciais vacinas contra o coronavírus, afirmou em comunicado que está “confiante” na segurança do imunizante.

A vacina vem sendo testada no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, que deve fabricar o produto no país. Após o anúncio da interrupção dos testes, o diretor do instituto, Dimas Covas, disse que foi “surpreendido” com a notícia.

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De acordo com ele, existe apenas um óbito entre voluntários da vacina, registrado em 29 de outubro, mas que não tem relação com o produto em estudo.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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