Clã Bolsonaro tenta atrair apoio de mais vulneráveis contra isolamento com vídeo criticando artistas da Globo

Após estratégia fracassada de criar cenário de terror, clã Bolsonaro tenta sensibilizar comparando com os que moram em "mansões". Pesquisa Fórum mostra que isolamento social tem maior apoio entre os mais pobres

Sem amparo entre a população mais pobre para conduzir as políticas genocidas de combate ao coronavírus, o clã Bolsonaro resolveu fazer uma ofensiva para tentar atrair apoio das classes média e baixa para por fim ao isolamento social.

Segundo pesquisa Fórum deste mês de maio, o apoio ao isolamento social é maior entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, com 83,7% das pessoas dizendo ser a favor da medida – 17,6% são contrários.

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O índice cai conforme a renda aumenta. Entre aqueles que ganham 5 a 10 salários mínimos, 29,5% são contra a medida, porcentual semelhante ao da faixa de renda de 10 a 20 S.M., em que 27,7% se dizem contra o isolamento.

Depois de desenvolver uma estratégia, sem efeito, traçando um cenário de pânico, Jair Bolsonaro, filhos e apoiadores buscam sensibilizar as pessoas mais pobres pela emoção, traçando um comparativo com classes mais altas que, segundo eles, estariam se beneficiando do confinamento, enquanto os pobres estariam desassistidos – sendo que o governo está cada dia mais colocando freios nas políticas de assistência aos grupos mais vulneráveis ante a Covid-19.

Nesta quinta-feira (23), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) divulgou um vídeo feito pelo estudante bolsonarista Nikolas Ferreira, doutrinado de Olavo de Carvalho e membro do movimento Direita Minas, que faz um comparativo dos efeitos econômicos do isolamento social entre pessoas mais pobres e artistas da Globo.

No vídeo, intitulado “A hiprocria do fique em casa”, o estudante olavista vai até casas de pessoas em locais mais pobres, como a Comunidade do Cabana, em Belo Horizonte, e pega depoimento de moradores, que são intercalados com declarações nas redes sociais de artistas como Anita, Fabio Porchat, Iza, Bruna Marquezine, Marcelo Adnet, e até do filósofo e professor Mário Sérgio Cortella.

https://www.facebook.com/flaviobolsonaro/videos/1818705544930537/?xts%5B0%5D=68.ARCV34Fa79BDEEoz2qA0QiIvnmUG0mnwTXfpdUmymOnUvi1hMMCmaC7zewf8HETKIakv5vJVwcOgXfdu5ui3cyyio_55h0ywQ5ueLCIqakwT9ncVeEE82Z2ZLGaLL9CnZVVgfMMqdyBFUVpYkZuE0pCujvEcu0Ol0_pAzH4zUJjEFxtRSkHZ5KDZYEzNr6Wex5F3dL7yewxTrc5QOX5FJX6pX0ARJHL5vZj8hkfQ93MqY8KS7B7-QJSOVQ5yquB6iJPfhVJqftKM3tnTwbLHNFIjyNrBuOc3H10gNfs9niKScOKQLq07Ch6CsHarNKUpGzlUGt-4vTt4xRFD2SueZI0PDrqLUIZTiIwnUg&tn=-R

A publicação de Flávio Bolsonaro segue na mesma linha do pai, Jair Bolsonaro, que pela manhã havia parado para conversar com funcionários de limpeza urbana em Brasília.

No encontro, transmitido em live pelas redes sociais, o presidente usa os garis para pressionar pelo fim do isolamento antes da reunião virtual com governadores.

“Vou fazer uma pergunta para vocês: vocês estão trabalhando e os vizinhos, tem emprego, está (SIC) trabalhando, como é que tá? Aguenta muito tempo sem poder trabalhar? Como é que tá a geladeira? Tá vazia?”, indagou Bolsonaro, induzindo a resposta dos garis.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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Renato Rovai
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