Movimento reage à estátua da Havan em São Luís: “monumento à cafonice, ao mau gosto”

O “Aqui Não” já reuniu milhares de assinaturas e lançou um vídeo com a atriz maranhense Claudiana Coutrim; veja aqui

O movimento “Aqui Não” já reuniu mais de três mil assinaturas contra a instalação de uma réplica da Estátua da Liberdade da rede de lojas Havan, do empresário bolsonarista Luciano Hang, o véio da Havan, em São Luís, no Maranhão.

O objetivo do movimento é pressionar a Justiça do estado a impedir a construção do monumento de 35 metros.

Em um manifesto do grupo contra a estátua lançado nas redes nesta segunda-feira (19), a atriz maranhense Claudiana Coutrim faz uma leitura do texto, que critica a distorção que o monumento faria na paisagem urbana.

“Alguém consegue imaginar uma Estátua da Liberdade em Olinda, Ouro Preto ou Diamantina? Não dá. A exemplo de São Luís, são cidades tombadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Em qualquer um desses sítios urbanos, instituições como o Iphan reagiriam com rigor”, diz a atriz no vídeo.

“Sem que a população da capital maranhense tenha sido consultada a respeito, a loja de varejo Havan está erguendo esse monumento à cafonice, ao mau gosto, em plena avenida que leva o nome de Daniel de La Touche, o navegador que deu por inaugurada a França Equinocial no Brasil, em 1612”, afirma ainda Cotrim.

Márcio Jerry, presidente do PCdoB no Maranhão e secretario de Cidades e Desenvolvimento Urbano do governo Flávio Dino (PSB) se manifestou sobre o assunto:

“Só um imbecil absoluto como esse tal de véio da Havan para querer instalar na histórica e bela São Luís uma réplica da Estátua da Liberdade. A Ilha Rebelde não aceitará a estupidez cafona”, afirmou.

De acordo com reportagem de João Valadares, na Folha, a loja da Havan em São Luís está em estágio bastante acelerado. A expectativa é de que a inauguração ocorra até o fim de agosto. O empreendimento, com 70 m de fachada e 130 m de profundidade, tem dois pisos, estacionamento coberto e praça de alimentação.

Polêmicas

Um ciclone derrubou a réplica da Estátua da Liberdade de uma loja da Havan, em Capão da Canoa (RS), em maio deste ano.

Sempre cercado de polêmica, Hang, conhecido como Véio da Havan, teve uma réplica da Estátua da Liberdade da unidade de São Carlos (SP), símbolo da rede Havan, totalmente destruída após pegar fogo, em dezembro de 2019.

Na ocasião, Hang se vestiu de xerife e produziu um filme onde oferece cem mil reais a quem pegar o “terrorista” que incendiou a estátua da liberdade da unidade de sua loja em São Carlos (SP).

Ainda em dezembro de 2019, outra réplica de 30 metros da estátua da liberdade da Havan foi erguida na avenida turística que liga Gramado a Canela, na Serra Gaúcha. A cidade aprovou na época um projeto de lei especial para que o empreendimento de Hang entre na região. A decisão, no entanto, teve que passar por abaixo-assinado e forte resistência de moradores.

Cerca de 2.000 moradores se organizaram para tentar barrar a construção da réplica, acusando-a de ser uma “violência simbólica” contra a região, que é um dos principais pontos turísticos do estado. Comerciantes locais também reprovaram a ideia, temendo perder espaço para grandes varejistas.

Não é a primeira vez que as estátuas das lojas do “Véio da Havan” geram polêmica. Em Bauru, interior de São Paulo, e Brasília também houve manifestação contrária à instalação do monumento. No entanto, a diretoria da Havan se reúne com autoridades da Serra Gaúcha há, no mínimo, quatro anos para viabilizar o projeto.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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