ANS nomeia diretora técnica em intervenção da Prevent Sênior

Plano de saúde é investigado por ter feito os seus pacientes de cobaias para testar o chamado “Kit Covid”

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nomeou a diretora técnica Daniela Kinoshihta Ota para acompanhar a operadora de saúde Prevent Senior, que é investigada por ter usado pacientes como cobaias para o testar o chamado “Kit Covid”.

A medida, que foi publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (14), confirma o que o diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Vanderlei Rebello Filho, havia dito à CPI durante o seu discurso de abertura de que o órgão faria uma intervenção na Prevent Senior.

“Vamos só concluir um processo interno dentro da agência e vamos dar início à direção técnica, ou seja, enviando um diretor técnico que estará acompanhando os fluxos e processos dentro da operadora em questão”, disse.

Segundo o diretor da ANS, a agência não tinha conhecimento de qualquer indício de irregularidade envolvendo a operadora de saúde.

Rabello Filho ainda declarou que “os fatos trazidos nessa CPI são de extrema gravidade. Fomos surpreendidos por essas novas denúncias”.

Diretor da ANS é representado no MP por não ter agido após denúncias contra Prevent Senior

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou junto ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação contra o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Roberto Rebello Filho, pelo fato de, supostamente, ter se omitido diante das denúncias contra a Prevent Senior.

Em depoimento à CPI do Genocídio, Rebello Filho afirmou que a ANS foi “surpreendida” com as denúncias trazidas à tona pelos senadores, através de depoimentos de médicos, sobre o protocolo macabro utilizado pela operadora de saúde que envolvia tratamento com medicamentos sem eficácia em pacientes com Covid-19.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no entanto, informou que a ANS recebeu denúncia de um médico sobre as irregularidades na Prevent Senior em abril. Segundo o senador, a agência chegou a pedir provas ao profissional de saúde, que as enviou. Mesmo assim, a agência nada fez e arquivou a investigação.

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Diante desta informação, Ivan Valente solicita que o Ministério Público investigue crime de improbidade administrativa e prevaricação por parte do diretor da agência.

“Se eu sofresse uma parada cardíaca, não deveria ser reanimado”, revela ex-paciente da Prevent Senior

Durante o seu depoimento, Tadeu Frederico, que foi feito de cobaia sem saber, comentou que, após uma primeira teleconsulta, onde relatou dor no corpo e febre, recebeu em sua casa o “Kit Covid”. À CPI ele disse que estranhou o recebimento dos medicamentos, pois, desconhecia o acesso a tais medicações sem receita médica.

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Fortemente emocionado, Frederico afirma que começou a tomar a hidroxicloroquina, pois, confiou no médico, mas, “ao invés de melhorar eu piorei”.

“Eu estava sendo orientado por uma médica, eu comecei a tomar, acontece que eu não melhorei, eu piorei… eu comecei a ser medicado sem saber o que eu tinha”, revela.

Com a piora de quadro, Tadeu contou que foi para a unidade da Brigadeiro (SP) da Prevent Senior, lá fez o PCR, que deu positivo para Covid-19, mas também foi identificado pneumonia bacteriana avançada

Surpreendentemente, após alguns dias internados na UTI, uma das filhas de Tadeu recebe a ligação da médica Daniela de Aguiar Moreira da Silva informando que ele sairia da UTI e seria encaminhado para um modelo híbrido e que “morreria com conforto”.

“Segundo essa médica, eu seria submetido à bomba de morfina e todos os meus equipamentos de sobrevivência na UTI seriam desligados. Se eu sofresse uma parada cardíaca, não deveria ser reanimado”, revelou Tadeu de Andrade.

O ex-paciente da Prevent Senior ainda conta que a médica citada por ele adulterou o seu prontuário ao colocar que a família havia concordado com o “tratamento paliativo”. “Isso é mentira, a minha família não concordou”, disse.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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