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14 de setembro de 2019, 20h16

Em nota oficial, PT crítica governador Rui Costa por entrevista à Veja

Governador da Bahia deu a indicar que poderia ser o candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência em 2022 e disse que o partido deveria ter apoiado a candidatura de Ciro Gomes no ano passado

O Partido dos Trabalhadores soltou uma nota neste sábado (14) para criticar a entrevista dada por Rui Costa (PT), governador da Bahia, para a revista Veja.

Na entrevista, Rui não pensa em Haddad como o “futuro do PT” e se colocou à disposição para se lançar como candidato se necessário: “Hoje, quero construir com outras lideranças essa alternativa. Mas é óbvio que, se digo que estou disposto a construir algo, então estou disposto a assumir qualquer tarefa.”

No entanto, o governador da Bahia também disse que está na posição para o que o partido quiser, mesmo que isso signifique não disputar a corrida eleitoral: “Na medida em que me coloco à disposição, concordo em ser qualquer coisa, inclusive não me candidatar a nada. Quero contribuir porque o povo brasileiro não merece passar por isso que está vivendo”.

Outro ponto que gerou polêmica da entrevista foi que Rui Costa disse que “o certo era ter apoiado o Ciro Gomes lá atrás”. Por isso, o Partido dos Trabalhadores compartilhou uma nota em seus canais oficiais sobre a entrevista.

Confira a nota do PT:

“1- O PT tomou uma decisão absolutamente correta ao lançar candidatura própria nas eleições presidenciais de 2018. O companheiro Lula, nosso primeiro representante, liderava todas as pesquisas de opinião, com forte tendência a vencer no primeiro turno. Com a candidatura de Lula ilegalmente cassada, lançamos o nome de Fernando Haddad que teve grande desempenho político e eleitoral, chegou ao segundo turno e só não venceu a eleição pelo uso criminoso de notícias falsas pela campanha de Bolsonaro, com financiamento ilegal até de fontes estrangeiras, contando com a omissão da mídia e da Justiça Eleitoral;

2- O eventual apoio do PT a Ciro Gomes, se à época já não se justificava porque nunca foi intenção dele constituir uma alternativa no campo da centro-esquerda, hoje menos ainda, dado que ele escancara opiniões grosseiras e desrespeitosas sobre Lula, o PT e nossas lideranças;

3- Dado o caráter autoritário, antinacional e fortemente antipopular do governo Bolsonaro, não cabe outra atitude ao PT que não seja fazer oposição permanente e destemida a seu governo neoliberal de extrema-direita e promover a defesa intransigente das liberdades e da democracia que ele ameaça diuturnamente. Diferentemente do que afirma o companheiro Rui, o PT não tem se restringido a combater o governo. Elaboramos e apresentamos propostas para enfrentar os graves problemas do país e do povo, como o desemprego, o aumento da injustiça social, para o sistema tributário, o pacto federativo, entre outros.

4- O PT não impõe condições para dialogar com todos os setores que se oponham ao governo autoritário, antinacional e antipovo. Ao contrário, temos trabalhado fortemente pela reconstituição da frente de esquerda dentro e fora do parlamento, pela construção da mais ampla frente democrática e participado de todos os fóruns em defesa da liberdade e da democracia. Em todos esses espaços denunciamos o caráter político da prisão de Lula e o que isso representa de afronta ao próprio regime democrático. Temos bem claro que a bandeira “ Lula livre” é central na defesa da democracia, da soberania e dos direitos no Brasil;

5- Nossa visão sobre a Venezuela considera primeiramente que o país vizinho se encontra sob criminoso embargo econômico e tentativa de intervenção militar estadunidense (com apoio do governo Bolsonaro), o que denunciamos em todos os fóruns. O PT repudia as tentativas de golpe, defende a pacificação do país e uma saída negociada democraticamente para a crise da Venezuela, respeitando o direito de autodeterminação do povo venezuelano;

6- Consideramos totalmente extemporâneo o debate sobre candidaturas presidenciais para 2022. No momento, nossa luta é para fortalecer a resistência ao bolsonarismo, defender a soberania nacional e os direitos sociais ameaçados. Esse processo vai produzir as condições políticas e a frente que irá, no campo da centro-esquerda, representar o povo brasileiro nas eleições de 2022. O PT certamente fará parte desse conjunto e, sendo um partido democrático como os demais, poderá sugerir nomes de seus quadros para participarem desse processo. É alentador identificar em nossas fileiras nomes com legitimidade para assumir essa responsabilidade, a começar pelo companheiro Lula, com sua reconhecida capacidade para unificar essas forças e o próprio povo brasileiro. O PT saberá fazer esse debate, democraticamente, no momento adequado.

Comissão Executiva Nacional do PT”

Repercussão dentro do partido

Jaques Wagner, senador do PT, disse que Rui Costa tem um bom nome para concorrer em 2022, mas que, no partido, há a esperança de que o ex-presidente Lula seja solto e possa ser lançado como candidato.

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o líder da bancada da Câmara, Paulo Pimenta, e o deputado federal José Guimarães utilizaram suas redes sociais para criticar a posição do governador da Bahia.


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