Mesmo com auxílio emergencial, consumo das famílias tem queda histórica e é o menor em 25 anos

País entre em recessão técnica, com PIB despencado por dois trimestres seguidos, de acordo com dados do IBGE

Mesmo com o auxílio emergencial, o desemprego elevado e as medidas de isolamento social necessárias para conter o coronavírus fizeram o consumo das famílias a cair 12,5% no segundo trimestre (abril a junho), em relação ao primeiro trimestre deste ano. De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira (1) pelo IBGE, foi o maior recuo no consumo dos brasileiros em 25 anos.

Além do isolamento ter impossibilitado diretamente as pessoas de fazer compras, a falta de confiança e de rendimento levou a um menor consumo, segundo especialistas. O PIB brasileiro também teve o maior tombo trimestral já registrado, -9,7%, e a economia encolheu ao patamar de 2009, quando o país sofreu os efeitos da crise global iniciada nos Estados Unidos.

O resultado surpreendeu economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, que esperavam uma queda menor, de 9,4%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a retração foi de 11,4%, também a maior da série.

Os dados colocam o país novamente em uma recessão técnica, com dois trimestres seguidos de queda da atividade, situação que a economia brasileira não vivia desde o fim de 2016.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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