Quem é Rodrigo Pacheco, provável candidato da ‘terceira via’ à Presidência?

Senador em primeiro mandato pode garantir um palanque eleitoral importante e vasto se deixar o DEM e confirmar sua filiação ao PSD. Setores políticos veem nele chance real de emplacar candidato alternativo

Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é um advogado de 44 anos, natural de Porto Velho, capital de Rondônia. Senador de primeira viagem, foi eleito em 2018 com 3.616.864 votos, por Minas Gerais, ficando com a primeira vaga destinada ao estado na câmara alta do Legislativo brasileiro, escolhido por 20,49% do eleitorado.

Antes disso, o atual presidente do Senado Federal cumpriu um mandato como deputado federal (2015-2019). Seus quatro anos na Câmara foram marcados pelo apoio aberto ao processo de impeachment contra e presidenta Dilma Rousseff e por votos favoráveis à PEC do Teto dos Gastos Públicos e à Reforma Trabalhista.

Presidência do Senado e pecha de “bolsonarista”

Sua chegada à presidência do Senado ocorre após uma vitória contra Simone Tebet (MDB-MS), em janeiro de 2021. Para ficar com o cargo, o senador contou votos da oposição e do governo. Ele foi o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro no duelo e por isso passou a ser visto como um aliado de primeira hora do bolsonarismo.

A relação de Rodrigo Pacheco com o Palácio do Planalto, desde então, tem sido pautada por certa cumplicidade com chefe do Executivo federal, ainda que algumas trombadas e atritos tenham ocorrido ao longo dos últimos meses. Há uma semana, por exemplo, Pacheco fez um duro discurso contra a nota oficial divulgada pelo Ministério da Defesa e pelos comandantes das Forças Armadas em tom golpista, ameaçando o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI do Genocídio, após uma fala dele contra membros da caserna implicados em escândalos de corrupção.

Nome da ‘terceira via’

Seu nome surge para o cenário eleitoral de 2022 após várias pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias mostrarem o derretimento acentuado de Bolsonaro, que passou a apresentar enorme rejeição entre os brasileiros. Ato contínuo, as mesmas sondagens revelaram uma liderança sólida e por ampla vantagem no atual cenário do ex-presidente Lula (PT). Os números ouriçaram os entusiastas da chamada ‘terceira via’, nome dado à tese política de que um candidato fora da bipolaridade Bolsonaro/Lula teria condições de vencer os dois candidatos, tirando proveito da rejeição de ambos.

Análise da conjuntura

O jornalista Luis Costa Pinto, que já foi repórter, editor e chefe de sucursais de veículos como Veja, Folha de S. Paulo e O Globo e Época, disse nesta segunda-feira (12), em entrevista a Renato Rovai e Dri Delorenzo, no Fórum Onze e Meio, que a candidatura de Pacheco pode ser uma boa decisão para os setores políticos que batalham pela tal ‘terceira via’.

“Esse era o caminho que estava se desenhando para o Pacheco, a meu ver. Ele tem mais quatro anos como senador, não tem quase nada a perder nessa disputa, especialmente sendo um candidato que sai do DEM e vai para o PSD, que é um partido organizado, estruturado, e que sabe fazer uma divisão regional de recurso e de poder. Se ele faz esse gesto aí, não é pra ser candidato a governador de Minas, porque já há o Kalil e o Anastasia lá”, ponderou Costa Pinto.

“Esse cenário (com Rodrigo Pacheco) não aponta para um 2° turno entre Lula e o bolsonarismo, não. O PSL, do Datena, que tem recursos e tempo de TV, aliado ao PSD, pode cumprir um papel importante para a direita que não quer o Bolsonaro. Talvez até não chegue ao 2° turno, mas pode ser fundamental para minar a base do bolsonarimso radical, tirando um naco dele e permitindo a existência de um candidato mais moderado. Mas, acho possível ocorrer uma chegada ao 2° turno, sim, contra o Lula, com a candidatura do Rodrigo Pacheco”, opinou o jornalista.

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Por último, Luis Costa Pinto falou do importante e extenso palanque eleitoral que pode se formar a partir da candidatura do atual presidente do Senado ao Palácio do Planalto. “Se for confirmada essa filiação do Rodrigo Pacheco ao PSD, eles teriam o candidato favorito ao governo de Minas, o Alexandre Kalil, tem o candidato que é forte em qualquer condição, que é o Geraldo Alckmin em SP, o Eduardo Paes e o Rodrigo Maia no Rio, com a possibilidade de o Paes largar a Prefeitura para disputar o governo do estado, além de um candidato forte como o Otto Alencar, pré-candidato ao governo na Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral. A lógica é a da composição, para compor esses palanques, e isso é muito importante”, concluiu.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.