Presidente da Davati diz que não tinha garantia das 400 milhões de doses para entregar

Ele fez duras críticas a Cristiano, disse que o PM Dominghetti virou representante da empresa sem ele saber e não teve conhecimento do encontro no restaurante em Brasília

O empresário Herman Cardenas, presidente da Davati Medical Supply, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (15), que não tinha à mão nenhuma das 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca cuja venda seus representantes negociaram com o governo brasileiro em fevereiro e março deste ano.

“Nossa intenção nunca foi vender as vacinas, mas apresentar as partes porque a Davati não tem as vacinas da Covid. Não tínhamos a garantia que conseguiríamos oferecer as 400 milhões de doses da vacina. O número apareceu em nossa proposta porque, quando perguntamos ao Cristiano quantas doses o Brasil precisava, ele disse que a população do Brasil é de cerca de 200 milhões de pessoas”, afirmou.

O empresário diz ainda que a Davati seria apenas uma facilitadora do negócio entre a fabricante da vacina contra Covid-19 e o governo brasileiro de Jair Bolsonaro, mediante uma comissão que ele não informou o valor. A AstraZeneca nega que negocie venda para empresas privadas.

Cardenas diz também não ter ouvido relato de pedido de propina na negociação e criticou seu representante no Brasil para o negócio, Cristiano Carvalho, afirmando que ele é um vendedor autônomo que representou a empresa apenas nesta tentativa de negociação —e que criou site e email da Davati no Brasil sem o seu conhecimento.

Cristiano depõe na CPI da Covid, no Senado, nesta quinta-feira (15).

O empresário diz que concordou em dar uma carta para que Cristiano pudesse vender os produtos da Davati no dia 1º de março. “Ele não é um representante legal da Davati, mas sim de produtos da Davati.”

Cardenas alegou que após encaminhar os documentos, Cristiano perguntou se poderia adicionar um nome na carta ao Ministério da Saúde, do policial militar Luiz Paulo Dominghetti

“Nós ficamos bem surpresos de ver recentemente cartas que surgiram na mídia de Cristiano adicionando pessoas como representantes da Davati, como Dominghetti, sem a minha ciência. Ele nunca foi autorizado a ser representante legal da empresa ou assinar em nosso nome, ele só representa a Davati na venda de produtos. A Davati não tem representantes legais no Brasil”, afirma.

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O empresário afirma não ter ficado sabendo do encontro de Dominguetti, Dias e Blanco num restaurante em Brasília no dia 25 de fevereiro. “Aliás, este dia foi a primeira vez que conversei com Cristiano. Ele também não tem a obrigação de nos informar todos os passos das negociações”, disse.

O presidente da Davati diz ainda que Cristiano comprou o domínio do website da empresa no Brasil e o endereço de email, o que ele nunca teria sido autorizado a fazer. “Mandei ele imediatamente desativar. Também fiquei sabendo que ele se intitulou CEO da Davati no Brasil e isso também nunca foi pedido a ele.”

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Cristiano nega

Cristiano negou ter registrado o site da Davati no Brasil em seu nome ou ter colocado qualquer informação nesse domínio. Sobre o email, disse que o próprio presidente da Davati respondeu certa vez quando este utilizava tal endereço. Também afirmou que as demais acusações do empresário são infundadas e que no início de fevereiro as tratativas foram feitas com o coronel Guerra.

Leia a entrevista completa na Folha

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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