Fórum Educação
02 de abril de 2020, 09h30

Clube Militar ataca Marco Aurélio Mello por encaminhar pedido de impedimento de Bolsonaro

O grupo também publicou uma nota de apoio a Bolsonaro por seu discurso de terça-feira (31). Na ocasião, presidente voltou a mentir sobre a OMS ao defender o fim do isolamento

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, publicou uma nota de repúdio nesta quarta-feira (1º) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, por ter encaminhado o pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) no começo desta semana.

Marco Aurélio é o relator da notícia-crime protocolada na semana passada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), que acusa Bolsonaro dos crimes de omissão e difusão do coronavírus.

Na nota, o militar diz que a única intenção do ministro foi “constranger” o Executivo. “A motivação chega a ser ridícula por citar que o Presidente cumprimentou pessoas e visitou trabalhadores na rua”, diz o texto, em referência ao passeio de Bolsonaro no Distrito Federal na última semana, que contrariou mais uma vez os protocolos das autoridades de saúde para combate à pandemia do coronavírus.

“Diferente de outras autoridades que nesse momento de crise se enclausuram em suas luxuosas residências, se alimentando de lagosta e vinho francês, o Presidente permanece ouvindo o povo para buscar as melhores soluções para as suas angústias”, continua o texto, que diz que defender o isolamento apenas das pessoas do grupo de risco da doença “não é um crime”.

Caso a PGR aceite a notícia-crime, Câmara será consultada para autorizar ou não o seguimento da Ação Penal e, em caso positivo, Bolsonaro será afastado por 180 dias. Em caso de crime transitado em julgado, o presidente perde o mandato.

Nota de apoio

No mesmo dia em que publicou uma nota de repúdio ao ministro Marco Aurélio, o mesmo presidente do Clube Militar escreveu uma nota de apoio a Jair Bolsonaro por seu discurso transmitido em rede nacional no último 31 de março, data do aniversário do golpe militar de 1964.

Em seu discurso, o mandatário repetiu a distorção que fez da declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para dizer que está certo em defender o fim do confinamento.

O Clube Militar, no entanto, exaltou a declaração e disse que presidente fez “colocações esclarecedoras e equilibradas”.


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