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06 de agosto de 2019, 06h51

Moro é o principal palestrante em evento financeiro com ingressos a R$ 3,1 mil

Como currículo de Sergio Moro, site cita Lava Jato e a prisão do ex-presidente Lula. O ministro falará sobre "corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil".

Divulgação sobre a palestra do ministro Sergio Moro no site do OffshoreAlert Conference.

O OffshoreAlert Conference, evento internacional que discute produtos e serviços financeiros, está com a sua edição latino-americana confirmada para os dias 16 e 17 de setembro, no Palácio Tangará. O ministro da Justiça, Sergio Moro, aparece na programação do evento como principal palestrante, e tem seu currículo relacionado à prisão do ex-presidente Lula.

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De acordo com o site do OffshoreAlert, Moro discutirá “corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil: problemas e soluções”. Os ingressos para o evento custam, em média, US$ 795 (cerca de R$ 3.132).

A descrição do histórico político do ministro no site do evento cita a Lava Jato e a prisão do ex-presidente Lula. “Ele foi juiz federal, tornando-se conhecido internacionalmente por seus esforços para enfrentar a corrupção, principalmente presidindo casos na Operação Lava Jato envolvendo a estatal petrolífera Petrobrás”, finalizando com “ele é geralmente considerado um herói nacional no Brasil”.

Outros nomes como Erika Marena, que foi delegada na Operação Lava Jato e atuou como coordenadora de investigação em Curitiba, o procurador-geral da República, Vladimir Aras, e os juízes Paulo Furtado de Oliveira Filho e Moacyr Lobato de Campos Filho também aparecem na lista dos principais palestrantes do evento.

Palestras
Novos diálogos entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, revelados neste fim de semana mostram que a dupla não prestava contas das palestras que ministrava Brasil afora. Reportagem assinada pelos repórteres Paula Sperb e Ricardo Balhazar, da Folha de São Paulo, e Amanda Audi, do The Intercept Brasil, mostram que o atual ministro da Justiça omitiu uma palestra remunerada proferida em setembro de 2016, período em que ainda era o juiz responsável pelas ações da Operação lava Jato.

Nos diálogos do dia 22 de de maio de 2017, Moro disse a Deltan Dallagnol que um executivo do grupo de comunicação Sinos queria seu contato para fazer um convite.

“Ano passado dei uma palestra lá para eles, bem organizada e bem paga”, disse o então juiz. “Passa sim!”, respondeu Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

A época, questionada pelo jornal Valor Econômico, a assessoria de imprensa de Moro afirmou que “as palestras ministradas pelo juiz não são remuneradas“. A frase foi dita ao Valor quando o atual ministro de Bolsonaro ainda era juiz em Curitiba na 13ª Vara e antes de prender o ex-presidente Lula.


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