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25 de outubro de 2019, 10h17

“Nova era”: Agente secreto do governo Bolsonaro vai espionar ONGs e movimentos sociais

Nomeação do agente secreto, que será subordinado a uma secretaria chefiada por um militar, foi publicada no Diário Oficial da União no mesmo dia em que ativistas do Greenpeace foram presos durante um protesto no Palácio do Planalto

Bolsonaro durante desfile dos Artilheiros da Reserva, da Ativa e de Alunos da Escola Militar em Santa Maria (RS) (Foto: Alan Santos/PR)

Jair Bolsonaro se elegeu prometendo acabar com movimentos sociais, ONGs e com todo e qualquer tipo de ideologia. Dez meses após assumir a cadeira no Palácio do Planalto, o capitão da reserva vem tomando medidas para cumprir a promessa, mas apenas com relação a movimentos e ONGs críticos ao seu governo. Nesta quinta-feira (24), o governo nomeou um agente secreto para espionar essas organizações.

Publicada no Diário Oficial da União (DOU), a nomeação ocorreu no mesmo dia em que ativistas do Greenpeace foram presos durante uma manifestação no Palácio do Planalto. A ONG protestava contra a negligência do governo com relação ao vazamento de óleo que vem atingindo praias do Nordeste. O nome do agente secreto, no entanto, não foi divulgado na publicação – ele foi identificado apenas pelo número de sua matrícula no serviço público federal, 910004. Vale lembrar que tanto Bolsonaro quanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, responsabilizam o Greenpeace pelo derramamento de óleo na costa brasileira.

O agente secreto, a nível institucional, será um “assessor” no Departamento de Relações com Organizações Internacionais e Organizações da Sociedade Civil, uma repartição da Secretaria de Governo da Presidência, órgão comandado pelo general Luiz Eduardo Ramos.

Em outros episódios ao longo do ano, evidências deixaram claro que Bolsonaro já vem há um tempo se utilizando de agentes secretos para espionar organizações críticas ao governo e movimentos sociais. Um deles aconteceu em fevereiro, quando uma reportagem do Estadão constatou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estaria espionando cardeais brasileiros e enviando “alertas” a Bolsonaro pois eles estariam articulando junto ao Vaticano debates em torno de uma “agenda progressista” que podem fazem forte oposição ao governo.

“Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse à época o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

Outra situação parecida aconteceu em agosto, durante a Marcha das Margaridas, de mulheres camponesas, até Brasília. Na ocasião, a Folha de S. Paulo flagrou um policial militar do Ceará espionando lideranças do movimento.

Saiba mais na reportagem da Carta Capital.

 


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