Pazuello mentiu na CPI ao falar que TrateCov não foi lançado pelo Ministério da Saúde; veja vídeo

Em 14 de janeiro, a pasta anunciou publicamente o lançamento da plataforma desenvolvida pela "Capitã Cloroquina"

O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, voltou a faltar com a verdade em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérido (CPI) que investiga as ações e omissões do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, a CPI do Genocídio. O militar disse que o aplicativo TrateCov, de estímulo ao suposto “tratamento precoce” contra a doença, não foi disponibilizado pelo ministério.

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“A secretária Mayra Pinheiro me trouxe como sugestão que poderia utilizar uma plataforma que já é desenvolvida para isso para facilitar o diagnóstico clínico feito pelo médico e que ela iria iniciar esse trabalho. Essa plataforma foi mostrada no dia 11 em Manaus em desenvolvimento, era um protótipo. Ela não foi distribuída aos médicos. Ela foi copiada por um cidadão e fizemos um boletim de ocorrência e esse cidadão fez a divulgação da plataforma com uso indevido. Quando soubemos que isso foi feito, determinei que fosse retirada do ar”, disso o general ao ser questionado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Mayra Pinheiro é conhecida como “capitã cloroquina” e será ouvida na CPI na quinta-feira (20).

A declaração, no entanto, não procede. O formulário do aplicativo foi disponibilizado no site oficial do Ministério e foi produzida até mesmo uma reportagem na TV Brasil para divulgar a plataforma. A matéria, que pode ser vista abaixo através do perfil influenciador Jair Me Arrependi, exibiu trecho de discurso do ministro realizado em Manaus.

Desde a instauração da CPI, o governo tem tentado apagar rastros. Protocolos foram tirados do portal do ministério e tuítes sobre o TrateCov foram apagados.

“Ministério da Saúde lança aplicativo para auxiliar médicos no diagnóstico da #Covid19. Ferramenta fornecerá um mecanismo com mais segurança e rapidez no atendimento a pacientes com a doença. O TrateCOV dá autonomia a profissionais habilitados p/ encaminharem o atendimento de acordo c/ a individualidade do paciente. O app foi desenvolvido pelo @minsaude e começa a ser usado em Manaus”, dizia o perfil oficial do Ministério em 14 de janeiro de 2021.

As publicações foram resgatadas pelo Projeto 7c0, uma conta automatizada com objetivo de mostrar os tuítes que sumirem de atores políticos.

ASSISTA ABAIXO:

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina

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