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22 de setembro de 2019, 10h56

Depois de Porchat, Duvivier também dá invertida em Carioca: “Você está sendo manipulado”

Márvio Lúcio, o Carioca, minimizou a repercussão sobre a morte da menina Ágatha, no Rio de Janeiro e associou a violência em comunidades ao consumo de drogas; Porchat e Duvivier explicaram que o buraco é bem mais embaixo

Reprodução

Depois do ator Fábio Porchat, foi a vez de seu colega de “Porta dos Fundos”, Gregório Duvivier, de dar uma “invertida” no humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca.

Na noite de sábado (21), em uma tentativa de minimizar a gravidade do problema que envolve o assassinato da menina Ágatha, de 8 anos, vítima de um tiro de fuzil no Complexo do Alemão (RJ), Carioca associou a violência no Rio de Janeiro ao consumo de drogas por parte da turma da “lacração”.

Duvivier, a princípio, respondeu com ironia: “Claro! A culpa é da maconha. Pqp. Gênio”, escreveu em seu Twitter. Neste domingo (22), então, Carioca rebateu com uma história de família: “Vou te contar algo. Nessa violência do Rio, perdi meu primo PM há 13 anos, meu pai foi baleado há 8 anos, ja vi um amigo ser assassinado. Fugi de São Gonçalo por traumaaa!!!! Não olho a violência de binóculos do Leblon para o Vidigal…”. Foi aí, então, que Duvivier resolveu explicar que o buraco, na verdade, é mais embaixo.

“Meu amigo, sinto muito pelas suas perdas. Mas a maconha não tem porra nenhuma a ver com elas. Você tá sendo manipulado. A culpa é do Estado, a culpa é da proibição que, ela sim, fomenta o tráfico. Abs”, postou.

Antes, a declaração polêmica de Carioca já havia gerado outra “invertida” de Fábio Porchat. “Vamos discutir a descriminalização então? Vamos discutir política pública? O que você sugere? Guerra as drogas? Não tem funcionado. Não sei se você chegou a ver que mataram uma menina de 8 anos. Mas a culpa é da lacração mesmo”.

Entenda o caso

A morte de Ágatha se soma às inúmeras outras, principalmente de negros e pobres moradores de comunidades, que vêm aumentando desde que Wilson Witzel assumiu como governador do Rio de Janeiro. Witzel é entusiasta de uma política de segurança agressiva, e causou polêmica ainda no ano passado, quando disse que a polícia sob seu comando vai “mirar na cabecinha e fogo”. Ele já chegou, inclusive, a lamentar por não poder disparar mísseis em comunidades do Rio.

O ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, pediu o impeachment do governador e foi acompanhado por alguns parlamentares da oposição na Câmada dos Deputados. “Há razões de sobra para que se peça o impeachment de Witzel. Ele é o grande responsável pelas atrocidades que se cometem no Rio de Janeiro. Um assassino!”, declarou o petista.

Na manhã deste sábado, moradores do Alemão fizeram um protesto em razão da morte de Agatha e de outros jovens negros. Pelas redes, a hashtag #ACulpaEDoWitzel ganhou repercussão. O historiador Luiz Antonio Simas ainda criticou a própria origem da Polícia Militar: “A PM foi criada para matar e morrer e nesse sentido é uma das instituições mais bem sucedidas do Brasil: mata e morre”.


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