Doria vê escalada autoritária de Bolsonaro em operação contra Witzel

Temor é compartilhado por outros governadores, que comparam Polícia Federal sob interferência do presidente com a polícia política da ditadura Vargas

Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a operação da Polícia Federal contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) nesta terça-feira (26), indica uma escalada autoritária do presidente Jair Bolsonaro.

“Independentemente da análise, e toda investigação necessária deve ser feita onde há suspeita, a operação que foi anunciada antecipadamente por uma deputada aliada, e comemorada pelo presidente, insinua a escalada autoritária e isso é preocupante”, afirmou Doria, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

O governador tucano fala da deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), que prometeu ações contra governadores em entrevista na véspera da operação, e da mensagem que Bolsonaro publicou nas redes sociais, parabenizando a PF pela operação. Fontes no Planalto revelaram que o presidente sabia da operação há uma semana.

Para o governador, a sinalização da operação de hoje é grave. “A utilização da PF para intimidar adversários, seja na política ou fora dela, deve ser condenada pela sociedade”, disse o tucano.

Assim como Witzel, Doria também está na mira de Bolsonaro. Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril, o presidente chamou o governador paulista de “bosta”, e o fluminense, de “estrume”.

Outros governadores também demostraram preocupação semelhante. Flavio Dino (PCdoB-MA), por exemplo, enfatizou que a antecipação e a comemoração da operação comprometem a lisura das investigações.

Os governadores tem um cenário de Estado Novo (1937-45), com comparações entre a polícia política da ditadura de Getúlio Vargas com os planos de Bolsonaro e a PF sob nova direção, depois da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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