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30 de junho de 2020, 16h31

Decotelli confirma que pediu a Bolsonaro demissão do Ministério da Educação

O ministro, nomeado na quinta-feira, pediu para deixar o cargo após seu currículo passar por um "desmanche"

Carlos Alberto Decotelli (Câmara dos Deputados)

O ministro Carlos Alberto Decotelli, nomeado na última quinta-feira (25) para o Ministério da Educação, confirmou que apresentou na tarde desta terça-feira (30) uma carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro após os questionamentos sobre as informações apresentadas pelo economista militar em seu currículo. O presidente Jair Bolsonaro já teria aceitado a demissão.

Segundo os jornalistas Paulo Saldaña e Gustavo Uribe, o ministro confirmou o pedido de demissão. Segundo informações de Renata Agostini, da CNN Brasil, o presidente já teria aceito a demissão, mas aguarda fechar o nome de um substituto.

Decotelli cancelou um compromisso que tinha com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e foi até o Palácio do Planalto formalizar a demissão na tarde desta terça. Seria nesta terça a cerimônia de posse dele como ministro.

Segundo informações da rede CNN Brasil, Decotelli teria dito a aliados que não há “clima” para continuar. O ministro, indicado pela ala militar, teria perdido apoio dos fardados, que ficaram constrangidos com os questionamentos no currículo do ministro “técnico”. Bolsonaro teria ficado “irritado” com a situação.

O “desmanche” no currículo começou quanto o reitor da Universidade Nacional de Rosário, Franco Bartolacci, desmentiu que o ministro tenha completado doutorado na instituição. A tese do economista foi reprovada.

Em seguida, o professor do Insper, Thomas Conti, apontou em sua conta do Twitter, vários trechos do trabalho de conclusão de mestrado feito por Decotelli, na Fundação Getúlio Vargas, similares aos de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul. Depois foi a vez da a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, afirmar que Decotelli – que dizia ter feito pós-doutorado na instituição – “não obteve um título em nossa universidade”.

A gota d’água, segundo as jornalistas Jussara Soares, Renata Cafardo e Julia Lindner, do Estado de S.Paulo, foi uma nota divulgada pela Fundação Getúlio Vargas na noite de segunda-feira que afirma que o economista não foi pesquisador ou professor da instituição.

A jornalista Thaís Oyama ainda revelou que o ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, também teria mentido em seu currículo militar e não passou em concurso para a Marinha. Apresentado como “oficial da reserva da Marinha”, Decotelli teria entrado sem concurso na força militar para prestar um serviço militar temporário, o que não lhe garante, por exemplo, remuneração na “aposentadoria”.

Decotelli chegou ao MEC após a fuga de Abraham Weintraub aos Estados Unidos. O ex-ministro havia anunciado que sairia do país “o quanto antes” após ser demitido e assim o fez, utilizando seu passaporte diplomático de ministro. Pouco depois, sua exoneração foi oficializada por Jair Bolsonaro, o que permitiu que ele usasse o passaporte diplomático a tempo.


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