Trump, Bolsonaro, Ministério da Saúde e agora Olavo de Carvalho: Twitter silencia conta do astrólogo

Rede social vem endurecendo monitoramento de fake news e postagens negacionistas e, nesta segunda-feira, apagou publicações do guru bolsonarista que minimizavam a Covid-19 e negavam a crise em Manaus, além de limitar sua conta

A investida do Twitter contra o negacionismo científico e as fake news fez mais uma “vítima”: o guru bolsonarista Olavo de Carvalho. Nesta segunda-feira (18), a rede social apagou publicações do astrólogo em que minimizava a Covid-19 e negava a crise de Saúde em Manaus (AM).

Além de deletar as publicações, o Twitter limitou a conta do escritor, silenciando suas novas publicações.

O próprio Olavo de Carvalho compartilhou no Facebook a mensagem do Twitter informando que sua conta estava sendo limitada por ele ter violado as regras da rede social.

Na outra rede, entretanto, Olavo segue compartilhando postagens negacionistas e fake news. “Em 2018 passei dois meses no hospital, tomando oxigênio 24 horas por dia, sem Covid nenhum. Falta de oxigênio MATA, com ou sem Covid. Tire o oxigênio de mil pacientes e diga que todos morreram de Covid. A macacada acredita”, escreveu ele em uma das publicações no Facebook.

Bolsonaro e Trump

O Twitter classificou, na última sexta-feira (15), um link postado pelo presidente Jair Bolsonaro como “potencialmente spam ou inseguro”.

Na postagem em questão, feita também nesta quinta-feira, Bolsonaro divulga um vídeo do jornalista Alexandre Garcia defendendo o “tratamento precoce” contra a Covid-19 e deixa o link de um suposto estudo que endossaria sua tese que não encontra respaldo científico. Desde o início da pandemia, o presidente defende que as pessoas, pro precaução ou no início dos sintomas de Covid-19, usem substâncias como a cloroquina, o que vai contra as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ao clicar no link, entretanto, o internauta se depara com um aviso do Twitter: “Atenção, este link pode ser inseguro”.

Coincidência ou não, o Twitter ligou o alerta contra a publicação de Jair Bolsonaro exatamente uma semana após decidir banir permanentemente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por incitar protestos violentos e divulgar fake news.

Ministério da Saúde

No sábado (16), foi a vez do Ministério da Saúde ter uma publicação no Twitter marcada como tendo “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19”.

A postagem, da última terça-feira (12), orientava a população a procurar uma unidade de saúde para fazer tratamento precoce da Covid-19. No entanto, não há comprovação científica sobre a eficácia desse tipo de intervenção.

O texto da publicação dizia: “Para combater a Covid-19, a orientação é não esperar. Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores as chances de recuperação. Então, fique atento! Ao apresentar sintomas da Covid-19, não espere. Procure uma unidade de saúde e solicite o tratamento precoce”.

Quem percorre o perfil do ministério encontra o selo do Twitter sobre a publicação. Ele diz que a postagem violou as regras da rede sobre a “publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19”. Mas a publicação não foi excluída. Clicando em cima dela, é possível vê-la. No alerta, o Twitter diz que “determinou que pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível”.

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Ivan Longo

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