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28 de outubro de 2019, 22h38

Chile: Oposição apresenta acusação constitucional contra Piñera

"É um imperativo histórico impedir que sigam as mortes", declarou a deputada Pamela Jiles, autora da denúncia contra o presidente Sebastián Piñera que o responsabiliza pelas 20 mortes confirmadas no Chile

Reprodução/Twitter

Lideranças da Frente Ampla e do Partido Comunista do Chile apresentaram nesta segunda-feira (28) uma denúncia de crime constitucional contra o presidente Sebastián Piñera por violação dos direitos humanos devido à forte repressão aos protestos que tomam o país há 10 dias.

A deputada Pamela Jiles, líder do Partido Humanista, é autora da denúncia que responsabiliza Piñera pela mortes do ativistas vítimas da repressão do Estado durante a jornada de protestos. Ao lado dela, defenderam a denúncia em coletiva representantes de outras agremiações que compõe a Frente Ampla e o Partido Comunista.

“Com meus netos, não, Piñera. Esses 20 mortos você vai ter que pagar muito caro. Sabe por que? Porque meus neto farão você pagar. Siga com suas gracinhas no La Moneda movendo seus títeres de um lado para o outro, mas, com meus netos, não. Esse é o limite. Com a vida e a dignidade dos meus netos, não”, declarou Jiles, que é chamada por seus seguidores de “avó”.

Segunda a parlamentar, a denúncia é o único meio institucional de sair da crise generalizada gerada pelos protestos no país. “É nosso dever constitucional apresentar essa acusação contra o responsável pelos crimes, que é um, e as ruas gritam: Renuncia, Piñera. A única saída institucional para essa crise é a saída de Piñera do governo. Se não quiser escutar, vamos gritar onde ele for, até que nos ouça”, disse.

“Se trata de uma ação unitária. Estamos aqui, estas forças, escutando o central desta revolução do povo que é sua firme votação unitária. A unidade do povo o faz invencível, por essa razão, nós, os humanistas, estivemos desde o primeiro segundo buscando essa medida para deter a matança. É um imperativo histórico impedir que sigam as mortes”, finalizou.

Protestos continuam

As medidas anunciadas por Piñera no final de semana para tentar acabar com os protestos não deram certo e as marchas continuam nesta segunda-feira. O presidente atingiu o índice mais baixo de popularidade da história do Chile.

Na sexta-feira, cerca de um milhão de pessoas foram às ruas de Santiago para protestar contra o governo, configurando a maior manifestação popular desde a redemocratização no país, segundo a imprensa local. Os manifestantes ocuparam a capital pleiteando contra Piñera, a desigualdade social e o sistema neoliberal que vigora no país.

Assista à declaração de Jiles e a vídeos dos protestos:

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